Quando tudo parece urgente, nada parece claro!

Ainda muito jovem comecei a ouvir dos meus chefes que tinha de aprender a distinguir o “importante do urgente”, ou seja, gestão de tempo… e que isso seria muito relevante para o meu sucesso como gestor e decisor.

Enquanto exercia alguns cargos de direção nos quais já sentia maior controlo sobre a minha agenda de trabalho, achei que apenas como CEO ou empresário poderia definir e priorizar de forma rigorosa as minhas atividades, e aplicar na plenitude o velho conselho de distinguir “o importante do urgente”.

Mas enganei-me, porque afinal as variáveis que influenciavam uma boa gestão da minha vida profissional eram cada vez maiores, em função de uma responsabilidade mais global, e mais solitária nos momentos decisivos.

Quando tudo parece urgente, nada parece claro!

A menor previsibilidade nos mercados e a competitividade crescente (…macro e micro), têm obrigado a constantes mudanças de rumo nas organizações seja ao nível da inovação, tecnologia, estratégia e pessoas. Desta forma, os processos de transformação assumem-se como o grande desafio para os decisores como líderes, exigindo simultaneamente ações de curto prazo, sem perder de vista as suas consequências no futuro menos próximo.

Esta nova dinâmica que nos é oferecida, faz ressaltar as nossas competências para liderar os outros, mas coloca-nos igualmente perante um frenesim de decisões que impactam e adiam as nossas reflexões mais estratégicas.

A boa liderança dos outros, começa por nos sabermos liderar a nós próprios

O problema nem sempre é a carga de trabalho. É o modo como gerimos o nosso dia:

  • Reuniões consecutivas
  • Um calendário que nem sempre controlamos
  • Tarefas que se multiplicam sem sentido

Pudemos tentar relativizar a pressão diária que sentimos… mas será sensato sentirmos pressão desnecessária?

Com o tempo ficaremos desmotivados e frustrados, em vez de nos sentirmos realizados e nos valorizarmos profissionalmente.

Não se trata de fazer menos. Trata-se de fazer o que realmente importa, ou seja, gestão de tempo.

3 recomendações que ajudam a realinhar a nossa energia e foco

1.º Recuperar o nosso tempo
➟ Auditar e rever o calendário semanalmente
➟ Remover ou recusar tudo aquilo que não tenha verdadeiro impacto na nossa missão e objetivos

2️.º Reorientar as prioridades
➟ Aplicar a regra 80/20
➟ Focar nas poucas ações que geram maior valor

3️.º Criar limites
➟ Definir claramente um tempo de paragem seja para pensar ou para relaxar
➟ Respeitar o tempo de reflexão ou de descanso da mesma forma como respeitamos o tempo para as reuniões

Porque são importantes estas recomendações:
Uma liderança sustentável não é medida em termos de produção – mas sim através da nossa capacidade.

Ninguém precisa de mais stress, precisamos sim de um melhor alinhamento de prioridades.

A conclusão

Não esperar que as coisas desacelerem por si. Definir já um modelo e sistema de trabalho que oriente o foco para o que é realmente importante e decisivo, antes que o stress passe a controlar as nossas decisões e a nossa vida.

Que medidas me ajudaram recentemente a melhorar a minha capacidade de decisão e foco, aliviando o stress?

José Paulo Rodrigues

Executive Search e Executive Counselling da HeadPartners