A MagazineHM #76 apresenta a entrevista realizada a Jorge Galvão, CEO da BizzPM, empresa de contabilidade, desempenho e outsourcing administrativo.
Executivo focado em gestão financeira, Jorge Galvão é CFO & Controller para PMEs e freelancers. Lidera estratégias de desempenho financeiro e apoio à gestão empresarial para pequenas e médias empresas.
Na sua atividade profissional, tem promovido iniciativas ligadas à literacia financeira, performance empresarial e automação de processos, partilhando conteúdo relevante e insights na sua área de atuação.
Entrevista

1. Na vossa perspetiva, como tem evoluído a procura por serviços de Business Process Outsourcing (BPO) e consultoria nas PMEs nos últimos anos e porquê?
Temos observado um crescimento consistente da procura por serviços de BPO e consultoria nos últimos anos, sobretudo nas PMEs. Esta evolução resulta de três fatores principais: maior complexidade fiscal e regulatória, escassez de talento qualificado no mercado e uma mudança de mentalidade dos empresários. Cada vez mais, os gestores percebem que externalizar funções críticas como a gestão financeira, controlo de gestão ou reporting, não é um custo, mas um acelerador de eficiência, foco e crescimento. O BPO deixou de ser apenas operacional e passou a ser estratégico.
2. Num mercado competitivo como o da contabilidade e consultoria em Portugal, o que distingue a abordagem da BizzPM? – em termos de tecnologia, proximidade ao cliente ou oferta de serviços – da concorrência?
A BizzPM diferencia-se por atuar como parceiro de gestão e não como mero prestador de serviços. A nossa abordagem assenta numa lógica de CFO as a Service, combinando visão estratégica, acompanhamento regular e foco em resultados.
Trabalhamos muito próximos dos empresários, ajudando a traduzir números em decisões concretas: onde crescer, onde corrigir, onde investir e onde reduzir risco. A nossa oferta integra reporting, controlo de gestão, planeamento financeiro, apoio à negociação com bancos e parceiros, e acompanhamento estratégico contínuo. O objetivo é simples: melhorar a performance financeira do negócio.
3. Que desafios e oportunidades tem encontrado ao apoiar empresas portuguesas na internacionalização ou investidores estrangeiros a estabelecerem-se em Portugal?
O principal desafio está na estruturação financeira e fiscal correta desde o início. Muitas empresas avançam para a internacionalização sem modelos robustos de pricing, controlo de custos ou projeções financeiras realistas.
Do lado dos investidores estrangeiros, existe frequentemente dificuldade em compreender a realidade fiscal, laboral e financeira portuguesa. A oportunidade está em atuar como CFO externo, garantindo clareza, disciplina financeira e alinhamento estratégico. Quando bem estruturada, a internacionalização deixa de ser um risco e passa a ser uma alavanca de crescimento sustentável.
4. Na vossa experiência, quais são hoje as maiores dores de cabeça dos empresários portugueses e como é que vocês as ajudam a aliviar?
Diríamos que são três: falta de previsibilidade, pressão sobre a tesouraria e dificuldade em tomar decisões com base em dados. Muitos empresários trabalham muito, mas com pouca visibilidade sobre margens, rentabilidade real por produto ou cliente, e impacto das decisões no futuro.
Ajudamos a aliviar estas dores através de reporting claro, forecasts financeiros, modelos de custeio adequados e acompanhamento regular. Quando o empresário passa a “ver” o negócio, o stress diminui e a qualidade das decisões melhora significativamente.
5. Há uma ideia de que a contabilidade é só cumprir obrigações legais. Mas vocês apresentam-se como parceiros de performance. Pode dar-nos um exemplo concreto de como já ajudaram uma empresa a tomar uma decisão estratégica?
Um exemplo típico é o de empresas que crescem em volume, mas não em lucro. Num caso concreto, ajudámos um cliente a perceber que o problema não era o preço médio, mas o mix de clientes e serviços.
Ao implementar um modelo de controlo de gestão com análise de rentabilidade por cliente e serviço, foi possível redefinir prioridades comerciais, ajustar o portefólio e renegociar condições. O resultado foi um aumento significativo da rentabilidade sem crescimento do volume de vendas. É aqui que deixamos de ser “contabilidade” e passamos a ser parceiros de performance.
6. Se pensarmos no futuro próximo, que mudanças no tecido empresarial português mais vão desafiar o vosso trabalho – e como se estão a preparar para isso?
O futuro vai trazer empresas mais digitais, mais pressionadas por margens e mais expostas a volatilidade económica, energética e financeira. Isso exige uma gestão muito mais profissional, mesmo em empresas pequenas.
Estamos a preparar-nos investindo em tecnologia, inteligência artificial, analítica avançada e modelos escaláveis de CFO as a Service. Mas, acima de tudo, estamos a investir em literacia financeira e em mudar a forma como os empresários encaram a gestão. O maior desafio não é técnico — é cultural. E é aí que queremos continuar a fazer a diferença.
Jorge Galvão, CEO