A MagazineHM #37 apresenta a entrevista realizada a Pedro Almeida, Diretor do PCI – Parque de Ciência e Inovação da Região de Aveiro, parceiro da HM Consultores no âmbito da sua nova área de negócio ligada à investigação, desenvolvimento e inovação: HMID.

Pedro Almeida é Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações pela Universidade de Aveiro e tem uma pós-graduação em Gestão para Executivos pela mesma universidade. Tem desenvolvido a sua carreira profissional no setor das Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica (TICE), e conta com mais de 20 anos de experiência nas áreas de investigação, desenvolvimento e inovação.

De uma forma simples, como é que explica o que é a Investigação e Desenvolvimento (I&D) e qual é a sua relevância para as empresas e sociedade?

A Investigação e Desenvolvimento (I&D) inclui todas as atividades que têm por fim produzir novo conhecimento de base científica, tendo o propósito de ajudar as organizações a superar os seus desafios de ordem técnica e aumentar a sua competitividade através da incorporação de soluções de elevada intensidade tecnológica nos seus processos produtivos. Quanto à relevância da I&D para as empresas e para a sociedade é indiscutível que este é um dos principais fatores de competitividade de qualquer organização e quanto maior é a percentagem de investimento em I&D, maior é a sua resiliência e a sua capacidade de colmatar as necessidades do mercado. Além disso, a I&D sempre esteve ao serviço da sociedade com a sua missão de promover o bem-estar e a prosperidade geral, sendo um bom exemplo desta capacidade a rapidez com que as vacinas resultantes dos processos de I&D empresariais conseguiram combater a pandemia COVID-19.

Qual é o ponto de situação da I&D e inovação em Portugal?

Segundo a classificação do European Innovation Scoreboard 2022, Portugal é um “Inovador Moderado” com uma performance de 85,8% da média europeia, encontrando-se atualmente na 17ª posição quando comparado com os países da EU27. Os últimos dados revelam que a performance de Portugal tem crescido a um ritmo mais lento do que os restantes países, o que a médio prazo pode levar a que haja um distanciamento maior de Portugal para os restantes países da Europa. No entanto, apesar destes resultados, considero que o potencial de inovação e de I&D em Portugal é bastante maior do que estes números refletem, sendo necessário acima de tudo apoiar as PME as estruturarem as suas atividades de I&D por forma a podermos tirar partido, enquanto país, de todo o conhecimento que existe dentro do nosso Sistema Científico e Tecnológico.

Atualmente, quais as áreas da indústria/serviços com maior potencial para a I&D? Existe alguma que esteja a ser subaproveitada? E no futuro, prevêem-se novas áreas emergentes enquadráveis neste universo?

Dado o atual contexto mundial, as áreas da indústria que têm maior potencial para a I&D estão associadas aos temas da microeletrónica, da produção de energia e da eficiência energética, da agroindústria e dos materiais sustentáveis. A nível nacional, pode-se considerar que ainda há algumas áreas subaproveitadas, como é exemplo o caso da I&D na área da floresta e da biodiversidade. No futuro, prevê-se que exista uma grande pressão de mercado sobre os temas da sustentabilidade e do ambiente, isto porque há uma consciência global que é necessário preservar os recursos naturais e promover a descarbonização da economia, pois as ameaças associadas à crise climática podem ter um impacto muito significativo na nossa sociedade democrática.

No que diz respeito à cooperação entre as empresas e as entidades do Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN), qual a importância destas relações e como as estreitar?

Uma forte cooperação entre as empresas as entidades do SCTN é um dos principais fatores críticos de sucesso para que Portugal possa aumentar a sua performance de Inovação. Na minha opinião, a evolução desta cooperação ao longo dos últimos anos tem sido bastante positiva, sendo esta observação corroborada pelos últimos dados do European Innovation Scoreboard 2022 que mostram um forte aumento nas publicações entre empresas e entidades do SCTN. Quanto à forma de estreitar esta relação entre estas duas partes interessadas do ecossistema de inovação, a minha sugestão foca-se principalmente na criação e capacitação de equipas especializadas para este efeito, quer do lado das empresas, quer do lado das entidades do SCTN. Na realidade, muitas vezes o motivo do insucesso desta cooperação está associado às diferentes dinâmicas e velocidades de negócio das entidades empresariais e entidades do SCTN, mas através da utilização de metodologias adequadas estou certo de que é possível estabelecer cada vez mais cooperação e que esta seja mais profícua, respeitando a cultura e a dinâmica de ambas as partes.

Qual o propósito do PCI enquanto Parque de Ciência e Inovação da Região de Aveiro? Qual a sua proposta de valor para o tecido empresarial?

O PCI – Parque de Ciência e Inovação da Região de Aveiro tem um papel fundamental para estimular esta cooperação entre as empresas e as entidades do SCTN, sendo naturalmente a ligação com a Universidade de Aveiro o seu principal fator distintivo em relação a outras estruturas similares. A proposta de valor do PCI é muito objetiva, pois funciona numa lógica de Comunidade sendo o único parque de Ciência e Tecnologia em Portugal que agrega na sua estrutura três unidades estratégicas que cobrem toda a cadeia de valor da Inovação, i.e., desde a criação de uma ideia até ao lançamento de um produto ou serviço inovador no mercado. As três unidades estratégicas do PCI são:

  1. A Design Factory Aveiro (DFA), uma unidade especializada na criação e conceptualização de novos produtos e serviços através da implementação de processos criativos liderados pela disciplina do Design, em conjunto com outras áreas de saber, o que permite criar protótipos de alta-fidelidade destes novos produtos ou serviços;
  2. A Universidade de Aveiro Incubator (UAi), uma das incubadoras da Região Centro com mais de 20 anos de experiência na incubação de empresas de elevada intensidade tecnológica, a qual permite transformar ideias de negócio em projetos empresariais de elevada escalabilidade; e
  3. O Business Innovation Center (BIC) que tem como principais objetivos apoiar as empresas na estruturação da sua Gestão Estratégica de I&D, dar suporte às atividades de contabilidade e gestão de RH das empresas da nossa Comunidade e apoiar a dinamização e gestão de eventos com a Comunidade PCI. Sem dúvida que um dos nossos pontos fortes é mesmo a nossa Comunidade, a qual atualmente envolve mais de 100 empresas e cerca de 600 colaboradores, e, neste aspeto, o papel da HM Consultores é fundamental para o sucesso de nossa Comunidade, pois é um parceiro de referência que apoia as empresas na captação e gestão de financiamentos para I&D e Inovação.

Pedro Almeida, Diretor

PCI – Parque de Ciência e Inovação da Região de Aveiro