Ao longo de décadas e mesmo séculos, autores brilhantes ofereceram-nos milhares de obras incontornáveis que moldaram a nossa carreira profissional e mesmo pessoal. Foi-me lançado o desafio de escolher as dez mais importantes e seguramente cada um de nós faria uma escolha diferente. Mas não enjeito o desafio e partilho uma seleção de livros seguramente polémica, mas pessoal, que marcaram a minha carreira e pelos quais tenho grande estima e admiração.
Dez Obras Fundamentais na História da Gestão Empresarial
Sun Tzu “The Art of War” (séc. VI AC)
Esta obra seminal do general chinês Sun Tzu, estruturada em 13 princípios de uma simplicidade e clareza extraordinárias, que nos ensinam por exemplo a confiar na nossa prontidão para receber o inimigo quer este venha ou não, fazer o caminho por rotas inesperadas e ataque por pontos não vigiados e nunca ter medo de morrer em batalha. Um grande manual de gestão empresarial que passou incólume por mais de vinte e cinco séculos e que é obrigatório ler, reler e decorar.
Clausewitz “Da Guerra” (1832)
Um clássico manual de guerra ainda hoje citado por generais, tornou-se essencial em gestão empresarial ao estabelecer a famosa Trindade: a paixão inerente ao povo, o papel do acaso, do talento e da coragem na liderança e a subordinação destes elementos aos objetivos políticos do Governo. O autor parte da Trindade para estabelecer a natureza dinâmica e multifacetada da guerra, cujo planeamento deve dar conta dessas forças profundamente enraizadas e da sua interação mútua.
Dale Carnegie “How to Make Friends and Influence People” (1936)
Será para muitos uma surpresa esta escolha. Não é um manual técnico de gestão empresarial – é muito mais do que isso. Considerado um texto fundamental na categoria de autoajuda, a sua influência ultrapassa gerações com osh seus conselhos práticos sobre como melhorar as competências relacionais e de liderança tornando-se uma ferramenta incontornável para qualquer gestor.
Peter Drucker “The Practice of Management” (1954)
Estamos perante aquele que muitos consideram o Pai da Gestão Empresarial Moderna. Da sua abordagem estruturada, analítica e assertiva na área da Gestão nasceram várias obras, sendo esta claramente distintiva e aquela que todos lemos e a que muitas vezes recorremos para reler a sua doutrina. Sem medo de se lançar sobre temas amplos, Peter Drucker é creditado por revolucionar a forma como as empresas devem ser geridas e deixou um largo número de obras decisivas.
Philip Kotler “Principles of Marketing” (1980)
O Pai da ciência do Marketing foi um autor prolífero, mas destaca-se claramente esta obra pela introdução da estrutura dos 4P´s Product, Price, Place, Promotion como uma plataforma de desenvolvimento estratégico e os 5 A’s (Consciencialização, Apelação, Perguntar, Agir e Advocacia) para entender e influenciar a jornada do cliente. Com estas orientações, Kotler estabeleceu um quadro que ainda hoje é alvo de reflexão alargado em Gestão Empresarial, de gestores de produto à Administração.
Michael Porter “Competitive Strategy” (1980)
Considerado como o livro de estratégia mais importante alguma vez escrito, introduz uma das ferramentas competitivas mais poderosas já desenvolvidas: as suas três estratégias genéricas de posicionamento estratégico – menor custo, diferenciação e foco. Mostra como a vantagem competitiva pode ser definida em termos de custo relativo e preços relativos, ligando-a diretamente à rentabilidade, e apresenta uma perspetiva totalmente nova sobre como o lucro é criado e dividido A obra de Porter transformou o modelo de Gestão Empresarial e abriu caminho ao alargamento da sua ação, nomeadamente em Portugal onde o famoso “Relatório Porter” gerou frutos.
John Kotter “Sense of Urgency” (2008)
Depois do seu best-seller internacional “Leading Change”, a bíblia da mudança para gestores em todo o mundo, em “Sense of Urgency” Kotter lida com o primeiro passo crucial da mudança: criar um senso de urgência que leve as organizações a ver e sentir a necessidade de mudança e ganhem consciência que, sem sentido de urgência, qualquer esforço de mudança está condenado. Escolho esta obra por ser tão comum esta falta de consciência nos gestores portugueses e já comprei dezenas de exemplares que fui oferecendo a subordinados para estimular a sua mudança de atitude.
Hamel and Prahalad “Competing for the Future” (1990)
Talvez menos conhecida do leitor, esta obra é absolutamente decisiva no desenvolvimento da Gestão Empresarial. Os autores introduzem o conceito de competências chave, do qual decorre um modelo de gestão estratégica assente nas competências e nos conhecimentos únicos e coletivos de uma empresa. O racional é evidente mas era totalmente inovador na altura – se as empresas deveriam focar-se nos seus pontos fortes centrais, alcançariam uma vantagem competitiva sustentada que garantiria um crescimento superior a curto, médio e longo prazo. Quando o livro surgiu era consultor, e nunca um trabalho de estratégia voltou a ser o mesmo – mudou de facto a minha perspetiva para muito melhor.
Jim Collins “How the Mighty Fall” (2001)
Jim Collins é um autor incontornável que atingiu o estrelato com “Good to Great”, uma obra onde tomou 11 empresas para demonstrar como tinham feito um percurso exemplar – estimulando outras a fazer o mesmo. Apesar de popular, recebeu muitas críticas e ainda mais hoje onde muitas dessas suas referências falharam. Mas na obra que escolhi e que muito admiro, o leitor é confrontado com grandes casos de insucesso. A escolha dos casos, a sua descrição e a sua análise pelo autor têm uma vertente dramática que agarra o leitor e a reflexão que estimula torna a obra seminal como ferramenta de Gestão Empresarial.
Copeland et al, “Valuation” (1994)
Esta obra surge numa altura em que o tema de avaliação de empresas tinha muitas zonas nebulosas, permitindo a consultores, advogados ou acionistas alguma manipulação no sentido que lhes fosse mais favorável. Três autores duma consultora de topo lançam-se no desafio de clarificar o assunto em todas as vertentes e nasce “Valuation”, que se torna o guia de referência mundial guia de “como fazer” para chegar à justa avaliação duma empresa. Apesar do conteúdo muito técnico, combina os melhores princípios académicos com a experiência real e a escrita clara e direta facilita o seu uso como manual. Um livro que marca uma mudança profunda para a Gestão Empresarial – e confesso que o meu exemplar está bem danificado pelo intenso uso que sofreu.
Finalmente e já fora da lista, não quero evitar uma referência à minha atual área de especialidade, as Empresas Familiares. Dizia há dias numa palestra universitária que tenho uma das maiores bibliotecas nesta área – e falei com muitos colegas que agem nesta área para o comprovar. E qual o melhor livro da minha biblioteca de Empresas Familiares (excluo naturalmente o meu “42.500 Passos até ao Cume”). Não há dúvida que “Family Business Handbook”, de Josh Baron da Harvard Business School, está acima de todos os outros. Uma estrutura notável, uma análise profunda e séria, e um conteúdo teórico suportado por excelentes exemplos. Se não estivesse focado em Empresas Familiares, seria um forte candidato para a lista das “Dez Obras Fundamentais na História da Gestão Empresarial”.
Founder & Managing Partner da ARBORIS