O Contexto da Mudança
A instabilidade económica dos últimos anos tem reforçado a consciência das PME portuguesas: não é sustentável depender apenas de um segmento de mercado. Gestores que historicamente operavam em setores tradicionais ou commodities começaram a olhar para ecossistemas mais sofisticados e exigentes. O setor da Defesa, por hipótese, enquadra-se nesta nova fase da economia europeia que está a pôr as empresas a fazer contas.
Outro setor que está na calha é o Aeroespacial. Eis porque é uma alternativa particularmente interessante:
- Estabilidade de portfólio – contratos de longo prazo com clientes de grande escala
- Procura estrutural e crescente – impulsionada pela aviação comercial, defesa, e agora pela economia do espaço
- Margens operacionais superiores – comparadas a setores que comercializam mais commodities
Posicionar-se na Cadeia de Valor
Este é talvez o ponto estratégico mais crítico. Não se entra neste setor enquanto fabricante de componentes genéricos. Em vez disso, deve-se identificar:
- Nichos de especialização – onde a empresa já tem competência transferível
- Transformação de metais? → Fornecedor de peças fresadas para estruturas
- Sistemas elétricos? → Cabos, conectores, harnesses aeroespaciais
- Plásticos/compostos? → Componentes não estruturais certificados
- Vantagens defensáveis – que justifiquem a mudança de paradigma
- Proximidade geográfica a clientes europeus
- Capacidade tecnológica diferenciadora
- Conformidade rápida com normas
- Parceiros estratégicos – porque raramente se entra sozinho
- Fornecedores de matérias-primas certificadas
- Consultores de compliance aeroespacial
- Universidades para investigação em materiais
Na Liderança da Indústria – Nuno Cipriano
Nuno Cipriano, Diretor-Geral e Consultor de Estratégia na CIPRIAL, vem ao Mãos na Massa conversar com Bernardo Freire, Gestor de Marketing da HM, sobre a sua experiência na gestão empresarial e sobre o setor Aeroespacial. Em antecipação, abaixo está uma das suas sagazes declarações:
Na indústria não existem soluções universais. Ou seja: há princípios de boa gestão que importa conhecer e praticar, mas depois têm de ser adaptados ao contexto específico de cada empresa.
Nuno Cipriano
Em Análise: A Janela de Oportunidade do Setor Aeroespacial
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