A MagazineHM #80 apresenta a entrevista realizada a Rui Oliveira, Fundador e Diretor Comercial da SunEnergy, empresa parceira da HM Consultores nas matérias de instalação de painéis solares.
Rui Oliveira é licenciado em Marketing e Gestão de Marketing pelo IPAM – Instituto Português de Administração de Marketing, uma das escolas de referência em marketing em Portugal. Fundou a SunEnergy há mais de 16 anos e desempenha atualmente funções de Diretor Comercial.
Entrevista

1. A SunEnergy tem crescido no setor competitivo das soluções baseadas em energias renováveis. Qual é hoje o vosso principal fator diferenciador no mercado?
Na SunEnergy, acreditamos que o nosso principal fator diferenciador está na forma como acompanhamos o cliente do início ao fim. Não nos limitamos a instalar painéis solares. Criamos soluções à medida, pensadas para cada caso específico, com base no consumo real e nos objetivos de cada cliente.
Aliamos experiência técnica a uma abordagem muito próxima e transparente. O cliente percebe exatamente onde está a investir, quanto vai poupar e em quanto tempo recupera o investimento.
Além disso, trabalhamos com tecnologia de qualidade e garantimos acompanhamento pós-instalação, algo que ainda faz falta em muitas empresas do setor.
2. O setor das energias renováveis tem registado uma forte aceleração nos últimos anos, tanto por questões ambientais como económicas. Que mudanças mais relevantes têm observado no posicionamento das empresas face às energias renováveis?
Nos últimos anos, vimos uma mudança clara: as energias renováveis deixaram de ser apenas uma escolha “verde” e passaram a ser uma decisão estratégica.
Hoje, as empresas procuram soluções solares sobretudo por três razões:
- Redução de custos operacionais;
- Maior independência energética; e
- Reforço da sua imagem sustentável.
Há alguns anos, o foco era mais ambiental. Hoje, o fator económico pesa tanto ou mais. A instabilidade dos preços da energia acelerou muito esta mudança.
Também notamos empresas mais informadas e exigentes. Já não procuram apenas instalar painéis; querem eficiência, retorno claro e soluções integradas.
3. Trabalham com soluções “chave-na-mão” adaptadas a cada cliente. Pode partilhar um caso concreto particularmente desafiante (por exemplo, ao nível técnico, financeiro ou de enquadramento legal) e como conseguiram ultrapassá-lo?
Ao longo dos vários anos de existência já surgiram vários projetos desafiantes, um dos mais recentes foi numa área agrícola da zona oeste, onde foi preciso desenvolver uma solução para colocar os painéis solares num pomar.
Este projeto, designado de Agrovoltaico, foi um desafio ultrapassado com a utilização de uma estrutura sobrelevada por cima das macieiras, que com um espaçamento bem dimensionado entre filas de módulos, permitiu com que as árvores continuassem a receber a luz solar, ao mesmo tempo que os painéis faziam a produção de energia e criavam zonas de sombreamento, evitando uma elevada evaporação de água do solo.

4. Há projetos de maior escala, como instalações industriais ou agrícolas, que exigem abordagens muito específicas. Quais são os desafios mais comuns nestes contextos e como é que a vossa equipa os resolve?
Na SunEnergy trabalhamos nos três segmentos de mercado, isto é, mercado de particulares, mercado industrial e o sector público. Este posicionamento só é possível com uma estrutura interna muito flexível, multidisciplinar e de grande profissionalismo.
Na realidade, os projetos de maior dimensão, como são os casos do industrial e do sector público, colocavam-nos por vezes maiores exigências a vários níveis, mas a verdade é que temos uma equipa de profissionais com bastante experiência, que nos permite encarar qualquer projeto com bastante confiança.
Neste momento, os projetos onde estamos a sentir maior exigência estão na área da acumulação de energia, que apesar de já termos bastante experiencia ao nível das baterias em clientes particulares, estamos agora com uma grande procura de soluções de armazenamento industrial de maiores dimensões e de maior complexidade, mas que estamos a conseguir dar uma boa resposta aos nossos clientes, com as nossas soluções técnicas desenvolvidas pelo nosso departamento de engenharia.
5. Qual é a sua leitura sobre o papel dos fundos comunitários na aceleração da transição energética em Portugal? Estão a ser bem aproveitados pelas empresas ou ainda existem barreiras no acesso e execução?
Os fundos comunitários têm tido um papel importante na aceleração da transição energética em Portugal. Permitem que muitas empresas avancem com investimentos que, de outra forma, seriam adiados.
No entanto, a realidade ainda está longe de ser perfeita.
Existem dois grandes desafios:
- Acesso: os processos são muitas vezes complexos e burocráticos;
- Execução: há atrasos na aprovação e no pagamento dos apoios.
Isto faz com que algumas empresas desistam ou avancem sem apoio, para não perder tempo.
Acreditamos que, com processos mais simples e rápidos, o impacto destes fundos poderia ser ainda maior. O interesse das empresas existe; falta, muitas vezes, agilidade no sistema para acompanhar esse ritmo.
Rui Oliveira, Fundador e CSO