Portugal – Itália: Eixo Mediterrânico para o Crescimento
Metalomecânica, têxtil, tecnologia, saúde e dispositivos médicos – estes são alguns dos setores que mais têm movimentado as relações comerciais entre Portugal e Itália. Quem o afirma é o nosso convidado desta edição do Mãos na Massa: Frederico Bradford da Câmara, Secretário-Geral da Câmara de Comércio Italiana em Portugal (CCIP).
Sérgio Leal, Business Developer da HM Consultores, questiona o papel da Câmara de Comércio na aproximação dos países, onde estão as oportunidades de negócio e qual é a sua visão dos fundos comunitários.
Em matéria de fundos comunitários, Frederico afirma que sim: “têm tido um papel central“. Continua, referindo que “têm estimulado o interesse das empresas italianas em Portugal, não apenas numa lógica de exportação, mas cada vez mais de parceria estratégica e de joint ventures com empresas portuguesas“.
O Investimento Direto Italiano em Portugal
À medida que as relações comerciais entre os dois países amadurecem, o investimento direto estrangeiro (IDE) começa a afirmar-se como a dimensão mais estratégica desta relação.
O sinal mais claro vem dos dados do Banco de Portugal: no primeiro semestre de 2025, a Itália foi um dos poucos países europeus a aumentar o investimento direto em Portugal, num contexto em que o IDE europeu global contraía. Este é sintoma de uma escolha deliberada de empresas italianas que identificaram Portugal como destino prioritário de expansão.
Esta mudança de posicionamento é estrutural. Conforme comenta o Secretário-Geral da CCIP, Portugal está a tornar-se num território de implantação: filiais, unidades produtivas e joint ventures com parceiros portugueses multiplicam-se nos setores onde os dois países têm maior complementaridade.
Um fator diferenciador neste fluxo de IDE é o papel dos fundos comunitários. O Portugal 2030 e o PRR criam projetos co-financiados pela UE que reduzem significativamente o risco para o investidor externo – uma estrutura que torna Portugal particularmente atrativo para quem quer entrar no mercado ibérico com um modelo de risco partilhado.
Investimento direto estrangeiro é, por definição, uma aposta de médio prazo. O facto de Itália estar a reforçar consistentemente essa aposta em Portugal, mesmo em contraciclo europeu, é um sinal que define a relação bilateral como saudável.
Há Equilíbrio na Balança Comercial?
As relações entre os países são duradouras e fiáveis, contudo a balança comercial revela algum desequilíbrio. É uma disparidade, ainda assim, alinhada com as trocas comerciais entre os países europeus. O responsável pela CCIP esclarece:
Portugal importa de Itália mais de 6 mil milhões de euros por ano, dados de 2025, enquanto exporta aproximadamente 4 mil milhões de euros, o que evidencia uma forte presença da indústria italiana no nosso mercado.
Frederico Bradford da Câmara
Em Análise: As relações comerciais entre Portugal e Itália.
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