A MagazineHM #84 apresenta a entrevista realizada a Maria Cachulo, Digital Content Creator da Blue Whale Consulting, empresa parceira da HM Consultores que apoia empresas a expandir-se para a Noruega, assegurando a adaptação cultural, operacional e legal necessária à sua entrada e atuação no mercado norueguês.
Economista de formação e especialista em marketing por paixão. Gosta de combinar a criatividade com a análise baseada em dados. É atualmente responsável pelos conteúdos e análise digital na Blue Whale Consulting, enquanto frequenta o Mestrado em Data-Driven Marketing.
Entrevista

1. A entrada num novo mercado implica muito mais do que encontrar clientes e desenvolver negócio. No caso da Noruega, quais são os principais desafios que as empresas internacionais subestimam quando decidem entrar no país?
No caso da Noruega, um dos principais desafios que as empresas internacionais subestimam é o conhecimento da cultura de trabalho e de negócio do país.
Muitas firmas tendem a assumir que os modelos de gestão que utilizam no seu mercado de origem se aplicam da mesma forma na Noruega e, por isso, não ajustam os seus métodos de trabalho e de negócio à realidade norueguesa. Contudo, essa realidade é muito díspar. Um dos grandes exemplos é a regulamentação corporativa, mas principalmente a regulação laboral, que é bastante diferente da existente em Portugal.
2. A Blue Whale Consulting nasceu precisamente da experiência com a complexidade do sistema norueguês e da falta de transparência que identificaram no mercado. O que é que as empresas mais procuram atualmente quando precisam de apoio para iniciar ou consolidar uma operação na Noruega?
Atualmente, as empresas procuram alguém de confiança, que lhes transmita credibilidade e rapidez na resposta. Precisam de direções precisas relativamente às leis laborais, bem como de orientação que agilize os processos burocráticos no sistema público norueguês, como, por exemplo, o registo de colaboradores ou o registo da própria empresa.
O nosso grande objetivo é criar uma base sólida, para que as empresas não só entrem no mercado e tenham sucesso a curto prazo, mas para que esse sucesso seja duradouro. Temos conhecimento de empresas que entraram no mercado sem esta base sólida e que, consequentemente, tiveram insucesso no país, chegando mesmo a incorrer em falhas de regulamentação legal que resultaram em coimas significativas.
3. Questões como legislação laboral, compliance e processos administrativos podem consumir recursos e atenção das empresas. Até que ponto estes fatores podem condicionar o crescimento de uma empresa estrangeira no mercado norueguês?
Na nossa experiência, estes três pontos são fundamentais para o sucesso ou insucesso de qualquer empresa neste mercado.
Relativamente à legislação, esta é bastante rigorosa, sendo que os sindicatos têm bastante força e, com frequência, existem inspeções por parte da Autoridade Norueguesa de Inspeção do Trabalho (Arbeidstilsynet). Estas inspeções podem levar a penalizações pesadas, que poderão chegar aos 4% do volume de negócios global ou mesmo à suspensão imediata da atividade.
Quanto aos processos administrativos, além de serem demorosos e rigorosos, qualquer pequeno erro no registo de algum dos processos pode originar atrasos e problemas legais, gerando pressão tanto para os empregadores como para os colaboradores.
No seu conjunto, estes fatores podem prejudicar a empresa não só no relacionamento com o cliente, mas também ao nível da perda de margem e da falta de credibilidade perante as autoridades norueguesas.
4. Num contexto de crescente internacionalização das empresas, que mudanças têm observado na forma como as organizações se preparam para entrar em mercados como a Noruega? Há hoje uma maior preocupação com a criação dessa “base sólida” desde o início?
Há hoje uma maior consciência de que é necessário ter parceiros locais para garantir a estabilidade das empresas no mercado. Muitas delas optam mesmo por adquirir a maioria absoluta em empresas norueguesas, de forma a conseguirem navegar mais facilmente num mercado tão complexo.
Temos vindo também a perceber que, apesar das ferramentas de Inteligência Artificial (IA) darem bastante informação sobre os processos administrativos e a legislação, estas não dispensam o acompanhamento de confiança de alguém local.
Pela necessidade de rapidez na entrada no mercado e na entrega de serviços e trabalho, muitas vezes as empresas não têm em conta os aspetos mencionados anteriormente. No entanto, tem-se provado cada vez mais que, a longo prazo, isso acarreta consequências bastante negativas para o sucesso das empresas no país.
5. A Blue Whale posiciona-se como uma ponte entre as empresas internacionais e o sistema norueguês, permitindo-lhes concentrar-se no negócio enquanto assegura as áreas legais, administrativas e de recursos humanos. Quais são os próximos passos da empresa e onde identificam maior potencial de crescimento?
O nosso slogan, “You build your business. We handle Norway.” (‘Construa o seu negócio. Nós cuidaremos da Noruega.’), resume bem a nossa missão: ser a ponte entre as empresas internacionais e o sistema norueguês, criando a estabilidade necessária para que estas se foquem totalmente no seu negócio. Além disso, temos como objetivo ser o ponto de referência para empresas portuguesas que procuram entrar no mercado norueguês.
Identificamos um maior potencial de crescimento nas empresas portuguesas que atuam em áreas como a infraestrutura digital, a construção industrial e civil, a indústria extrativa e a manutenção industrial, bem como no fornecimento de mão de obra qualificada. Acreditamos verdadeiramente no potencial destas empresas no mercado norueguês.
Neste momento, temos o nosso site disponível em português e em inglês e estamos a trabalhar no desenvolvimento de artigos e PDFs, também em ambas as línguas, de forma a proporcionar um maior conhecimento sobre o mercado norueguês e os processos necessários para a entrada das empresas internacionais no mesmo.
Além disso, estamos a trabalhar numa ferramenta que irá auxiliar as empresas nos processos administrativos. Acreditamos que esta trará bastante valor para o dia a dia das empresas e dos seus colaboradores.
Maria Cachulo, Digital Content Creator