Introdução ao Caso de Sucesso

A preparação de uma candidatura começa com um ouvido atento. Saber ouvir é parte do sucesso do enquadramento de qualquer projetos aos fundos comunitários. Depois há a elaboração da candidatura – matéria em que nos especializamos há quase 40 anos.

Com este mote, apresentamos o Caso de Sucesso de um dos projetos da Camionantunes, empresa que se dedica à construção de superestruturas para veículos de combate a incêndios, que recorreu aos apoios do Portugal 2030, em particular o Inovação Produtiva.

A responder pela empresa está Filipe Antunes, CEO da Camionantunes. Do lado da HM Consultores, Sérgio Leal, Business Developer, e Beatriz Naia, Consultora de Investimentos e Estratégia, fecham o Caso de Sucesso.

Necessidades, Incentivos e Objetivos

Camionantunes

HM: Quais foram as necessidades da empresa que levaram ao investimento produtivo?

FA: Nós precisávamos de aumentar a nossa produção da maneira mais organizada possível. Queríamos libertar-nos ao máximo da componente de mão-de-obra, ou seja, componentes muito técnicas. Hoje em dia gerir mão-de-obra especializada que tenha características técnicas elevadas é muito complicado. Então queríamos comprar maquinaria e software para os processos serem o mais simples possível e conseguirmos produzir mais em menos tempo. Esse foi um dos objetivos principais.

Aliás, queremos fazer mais investimentos nesse sentido no futuro. Temos uma procura muito grande pelo nosso produto e não somos capazes de entregar nas quantidades que nos pedem, por isso estamos a racionalizar a nossa oferta desta maneira. Hoje em dia, crescer não é contratar pessoas, crescer é ter uma equipa, fazer uma equipa, e isso demora tempo. É um dos trabalhos mais complicados, pelo menos para nós. E por isso investir neste género de maquinaria e software tem o propósito de responder a esta necessidade.

HM: O que é que motivou o recurso ao apoio do Portugal 2030?

FA: Todos os anos fazemos uma análise do plano de investimentos para o ano seguinte. Neste caso, decidimos que iríamos fazer este investimento, percebemos quais é que eram as necessidades da organização. Concluímos que queríamos ser mais organizados e produzir mais, contratando algumas pessoas. Estamos a tentar contratar duas a três pessoas por ano, no máximo. Em 2027 queremos aumentar cerca de 60% a nossa produção, o que é considerável. Como? Deixando de fazer alguns trabalhos menos rentáveis, focando-nos nos de maior volume.

Faríamos o investimento independentemente do Portugal 2030. Claro… não da mesma maneira. Não posso dizer que o fator do apoio a fundo perdido não ajuda. Claro que ajuda. Mas iríamos fazê-lo de qualquer maneira, como fizemos até aqui. É a primeira vez que estamos a fazer este género de investimento com recurso aos fundos comunitários.

HM: Quais foram os objetivos preestabelecidos do projeto?

FA: Como referi, aumentar a produção é o principal objetivo. Dentro disto, queremos tentar fazer um investimento o mais suave possível para a empresa. Mas não pela dificuldade do mercado – o nosso mercado não tem dificuldade nenhuma. Podíamos crescer mil por cento ao ano que continuaríamos a ser uma gota de água no oceano.

Reparem, nós conseguimos facilmente cortar, quinar e fabricar, mesmo com tudo como temos agora, contratando mais pessoas. Só que depois a parte da organização iria ter muitas dificuldades de gestão. Vendemos produtos de 250 mil euros, com vários componentes. Estamos a falar de milhares de componentes para cada produto. Fazer toda a gestão para que na semana X os equipamentos estejam prontos para serem montados é complicado.

É um desafio muito grande quando fazíamos tudo de forma, organizada, mas manual. E como calculam, há sempre a possibilidade do erro humano, não é? Ou seja, isto vai tudo ao encontro de irmos atrás de métodos e processos para diminuir ao máximo o erro humano.

HM: Como é que tem sido trabalhar com a HM Consultores?

FA: No que respeita ao trabalho comercial, o Sérgio Leal é uma pessoa que encara os problemas como mais uma coisa para ultrapassar. Isso ajuda muito, para além de também ser muito simples trabalhar com ele: falamos a mesma língua e ele entende as nossas necessidades, bem como as dificuldades que a função da gestão tem pela frente. É difícil, por vez, transpor quais serão as nossas dificuldades e a gente dá-se bem, enquadra as coisas, a conversa foi fácil.

Claro que há outras pessoas na equipa. Agora vamos lidar com a área técnica da HM Consultores até ao fim da execução do projeto vão haver mais pontos de contacto.

Enquadramento do Projeto

Sergio_Leal_Caso

SL: O trabalho de enquadramento passou por perceber a realidade e os objetivos da empresa e assegurar que o investimento previsto estava devidamente alinhado com os objetivos e critérios do aviso de Inovação Produtiva. Neste processo, procurámos não só garantir a elegibilidade das despesas, mas sobretudo construir uma lógica coerente entre o investimento, a estratégia de crescimento da empresa e os resultados esperados.

Um dos aspetos que considero mais relevantes neste projeto foi o facto de os investimentos enquadrados terem obtido 100% de elegibilidade, demonstrando a consistência do enquadramento realizado. Também a simulação de mérito efetuada durante a preparação do projeto ficou muito próxima da classificação efetivamente atribuída à candidatura, o que permitiu validar a solidez da análise realizada.

Mais do que procurar simplesmente enquadrar um conjunto de investimentos num sistema de incentivos, o objetivo foi compreender o que a empresa pretendia alcançar e garantir que essa estratégia ficava devidamente refletida no projeto. A modernização da capacidade produtiva, a melhoria dos processos e a redução da dependência de operações manuais eram elementos centrais dessa estratégia.

Foi também importante existir uma relação de proximidade com a empresa ao longo deste processo. Como referiu o CEO da Camionantunes, “falamos a mesma língua” e foi essa facilidade de comunicação e compreensão das necessidades da gestão que permitiu trabalhar o enquadramento de forma muito próxima da realidade da Camionantunes.

No final, o resultado foi um projeto em que o investimento apresentado, o seu enquadramento e a estratégia de crescimento da empresa ficaram alinhados, traduzindo de forma clara aquilo que a Camionantunes pretende concretizar através deste investimento.

Desenvolvimento da Candidatura

Beatriz Naia

HM: Quais foram as impressões e desafios que teve em relação ao projeto?

BN: A elaboração desta candidatura foi particularmente desafiante pela especificidade do projeto e por envolver um setor distinto dos habituais: a transformação de veículos de combate a incêndios. Numa primeira instância foi necessário conhecer melhor a atividade da empresa, perceber a solução que estava a desenvolver e compreender como funciona este mercado. De seguida, identificaram-se oportunidades de crescimento, tanto em Portugal como no estrangeiro.

O desafio passou por traduzir esta realidade numa candidatura ao Inovação Produtiva, demonstrando os impactos e o valor acrescentado do projeto, bem como a forma como este contribuiria para o crescimento da Camionantunes. Houve também um trabalho importante de gestão das expectativas do cliente, procurando equilibrar aquilo que a empresa pretendia alcançar com aquilo que seria possível sustentar no âmbito do Aviso.

Mais do que olhar para os investimentos de forma isolada, procurou-se perceber como todas as componentes do projeto se relacionavam e construir uma visão integrada, ligando inovação, capacidade produtiva, mercado e crescimento. A aprovação da candidatura sem quaisquer cortes confirmou a consistência do trabalho e o potencial do investimento para acompanhar uma nova fase de desenvolvimento da Camionantunes.